Material do consultório · Programa SIBO

Seu teste deu positivo para SIBO. E agora?

O que é, em uma imagem. Os quatro passos do tratamento. E o que você já pode fazer hoje.
Dra. Patricia Silveira · Cirurgiã Geral · CRM-SP 162150 · RQE 67913 · Cirurgia anorretal minimamente invasiva e saúde intestinal funcional · Jundiaí, SP
Um exame positivo não é má notícia. É o fim de uma dúvida que já estava te custando caro.

Isso tem nome, tem exame que confirmou, e tem tratamento com passos definidos. Leia em 3 minutos.

O que é SIBO, em uma imagem

O seu intestino tem dois andares. O problema é bactéria no andar errado.
Comparação em imagem: à esquerda o intestino delgado com poucas bactérias, como deveria ser; à direita, o mesmo intestino com excesso de bactérias sobre as vilosidades, no supercrescimento
Como deveria serPoucas bactérias sobre a parede do delgado. A comida é digerida e absorvida em paz.
No SIBOBactérias cobrindo a mesma parede. Elas fermentam a sua comida antes de você absorver, e produzem gás.
O intestino grosso é o depósito, no fundo da casa, e foi feito para ter bactéria e produzir gás. O delgado é a cozinha, onde a comida é digerida, e precisa ser relativamente limpo. SIBO é bactéria demais na cozinha. Não é infecção, não é bactéria vinda de fora, não é falta de higiene.

Por que isso explica o que você sente

A barriga incha depois de comer
A bactéria come antes de você e fermenta. Fermentar produz gás, e agora ele nasce num tubo estreito que não foi feito para guardar gás.
Piora com comida saudável
Salada, fruta e fibra são o que fermenta melhor. Por isso quanto mais certinha você comia, pior você ficava.
Cansaço, queda de cabelo, unha frágil
A absorção acontece justamente no delgado. Com ele ocupado, é comum faltar ferro, B12 e vitamina D.
Intolerância que apareceu do nada
Alimentos que você comia a vida inteira passaram a cair mal. Não é frescura, é fermentação no lugar errado.
Não é falta de esforço. É esforço no alvo errado. Comer mais fibra num intestino com supercrescimento é colocar mais lenha na fogueira.

Como o exame descobriu isso

O teste não mede bactéria. Mede o gás que ela solta.
1
Você bebe um açúcar
Ele desce pelo tubo digestivo, como qualquer alimento.
2
A bactéria fermenta antes da hora
Se houver bactéria demais no delgado, ela come esse açúcar antes de você absorver.
3
O gás cai na circulação
E é levado pelo sangue até o pulmão.
4
E sai no seu sopro
Por isso dá para diagnosticar soprando num tubo, de hora em hora.
Gás que apareceuO que significaSintoma que costuma dominar
HidrogênioSupercrescimento bacteriano clássico, o SIBODistensão e diarreia
MetanoExcesso de produtores de metano. Hoje se chama IMOConstipação e distensão
SulfetoSuperprodução de sulfeto, o ISO. O exame comum não medeOdor forte, urgência e diarreia
Os três dão sintomas parecidos e pedem tratamentos diferentes. Por isso a primeira coisa que eu faço é saber qual é o seu. Se o seu exame mediu só hidrogênio e metano e você tem gases de odor muito forte com urgência, vale conversarmos sobre o terceiro gás antes de fechar a conduta.

Onde esse exame é feito

O teste respiratório é feito no meu consultório, comigo, e não terceirizado. Isso significa que quem lê o traçado é a mesma pessoa que vai conduzir o seu tratamento.

Hoje ele mede hidrogênio e metano, que são os gases do SIBO e do IMO. A medição de sulfeto, o terceiro gás, entra a partir de novembro de 2026. Até lá, quem tem o quadro típico de sulfeto é avaliado pela história clínica e pelo padrão do traçado, que também dá informação.

Os quatro passos do tratamento

Quase todo mundo que trata SIBO e vê o problema voltar parou no passo 1.
Passo 1

Reduzir a carga

2 semanas

Antibiótico dirigido ao gás que apareceu no seu exame, junto com a dieta que reduz o combustível da fermentação.

Passo 2

Reintroduzir e destravar

3ª semana ao 1º mês

A comida volta, um grupo por vez. E o intestino volta a se mover entre as refeições. É o passo mais pulado, e o principal motivo de recidiva.

Passo 3

Reconstruir

2º ao 3º mês

Digestão, barreira intestinal e reposição do que a má absorção consumiu ao longo dos meses.

Passo 4

Medir e prevenir

até o 6º mês

Teste respiratório de controle, e a conversa sobre por que isso apareceu em você.

Quer entender cada passo por dentro? Abra abaixo.

O antibiótico usado age praticamente só dentro do tubo digestivo, então mexe muito menos na sua microbiota do que um antibiótico comum. A escolha depende do gás que apareceu no seu exame.

É o passo que alivia mais rápido, e o mais fácil de confundir com cura. A distensão cede, o intestino se organiza, e a sensação é de resolvido. Se o tratamento parar aqui, o terreno que permitiu o supercrescimento continua igual.

A comida volta. A dieta restrita tem data de saída, e a reintrodução é obrigatória, um grupo por vez. Restrição sem data de volta empobrece a sua microbiota e aumenta a sua sensibilidade alimentar, que é o contrário do que a gente quer.

E o intestino precisa voltar a se mover. Existe uma onda de limpeza que varre o delgado entre as refeições, e ela só acontece em jejum. É a faxineira que passa quando a cozinha esvazia. Se você belisca o dia todo, ela nunca passa, o resto parado vira comida para bactéria, e o supercrescimento se reinstala.

Por isso aqui entram o espaçamento entre as refeições e, quando indicado, um medicamento que estimula essa motilidade.

Meses de fermentação no lugar errado deixam marca. A digestão fica preguiçosa, a parede do intestino fica irritada, e é comum aparecer falta de ferro, de B12 e de vitamina D, porque a absorção estava prejudicada justamente onde ela acontece.

Aqui entram, conforme o seu caso, enzima digestiva, reposição do que faltar e cuidado com a barreira. Também é aqui que a gente revisa medicação de uso contínuo que atrapalha, como inibidor de bomba de prótons usado por anos, que nunca deve ser suspenso por conta própria, porque o efeito rebote é pior que o sintoma original.

Sintoma não é medida confiável. Tem gente que se sente ótima com o exame ainda positivo, e gente que segue com sintoma por outro motivo, já com o supercrescimento resolvido. As duas situações mudam completamente a conduta, e sem o controle ninguém sabe em qual das duas você está.

Depois disso, a conversa vira por que isso apareceu em você. Motilidade lenta, cirurgia abdominal prévia, uso prolongado de inibidor de bomba, doença de base. Enquanto essa causa não for endereçada, o supercrescimento tem por onde voltar.

Por que não termina quando o sintoma some

Voltaram a ter exame positivo, depois de tratamento bem-sucedido
80 pacientes acompanhados após tratamento com rifaximina, todos com exame de controle negativo
12,6%
27,5%
43,7%
3 mesesdepois do tratamento
6 meses
9 mesesquase metade
Dados reproduzidos na diretriz da American College of Gastroenterology de 2020. No mesmo estudo, três coisas aumentaram o risco de voltar: idade mais avançada, apendicectomia prévia e uso crônico de inibidor de bomba de prótons. Não é número para assustar. É o motivo de o acompanhamento ir até 6 meses e não terminar no dia em que a barriga desincha.

O papel da dieta

O antibiótico reduz a bactéria. A dieta reduz a comida dela.

O que a dieta não faz

  • Não mata a bactéria no lugar errado
  • Não corrige a motilidade
  • Não repõe o que já faltou
  • Não impede a recidiva
  • Sozinha por meses, empobrece a microbiota

O que ela faz, e faz bem

  • Reduz gás e distensão em poucos dias
  • Dá alívio enquanto o tratamento age
  • Mostra quais são os seus gatilhos reais
  • Prepara a reintrodução
  • Tem prazo e data para acabar

A regra mais importante desta página

A dieta tem data de saída, e a reintrodução não é opcional. Se você já está há mais de dois meses cortando alimento sozinha e a lista só cresce, me procure antes de cortar mais um. Esse padrão pede avaliação, não pede mais restrição.

Posso comer isso?

Enquanto a consulta não chega, use a busca. Ela responde às onze da noite.
Consulta rápida · fase inicial do tratamento

Posso comer isso?

Digite o alimento e veja se ele entra nesta fase, em que porção, e o que usar no lugar.
Pode comer Com cuidado Fora nesta fase
Apoio para o dia a dia, não substitui a consulta. Não considera alergia nem intolerância individual, e a tolerância varia: o mesmo alimento pode passar em porção pequena e incomodar em porção grande. Se você tem alergia alimentar, ela vale acima de qualquer coisa escrita aqui.

Quanto tempo dura

Passo 1
Reduzir a carga
2 semanas
Passo 2
Reintroduzir
3ª semana ao 1º mês
Passo 3
Reconstruir
2º ao 3º mês
Passo 4
Medir e prevenir
até o 6º mês
Este é o desenho geral. O seu cronograma sai na consulta, com datas reais, porque depende do gás que apareceu no seu exame e do que mais estiver acontecendo com você.

O que fazer hoje, antes da consulta

Não comece antibiótico sozinha
A escolha depende do gás do seu exame. Errar o alvo custa tempo e mexe com a microbiota à toa.
Não corte tudo
Comece pelo que você já percebeu que incomoda, use a busca acima, e não passe de duas semanas sozinha.
Não suspenda o omeprazol
Se você usa inibidor de bomba, a retirada existe, mas é programada e feita comigo.
Espace as refeições
Cerca de 4 horas entre uma e outra, sem beliscar no meio. É o que permite a onda de limpeza acontecer.
Anote por alguns dias
O que come, como fica a barriga e como fica o intestino. Vale mais que qualquer relato de memória.
Leve o exame completo
Com o gráfico e todos os tempos de coleta, não só a conclusão.

E se junto com isso tiver

Sangue nas fezes, perda de peso sem explicação, anemia, febre, vômitos, dor que acorda você à noite, ou início dos sintomas depois dos 50 anos: me procure antes, sem esperar a agenda do programa. Nenhum desses sinais é de SIBO, e todos pedem investigação própria. Um exame positivo não afasta a possibilidade de existir outra coisa junto.
O passo seguinte

A dieta resolve uma parte. O programa trata a causa.

Você já tem o diagnóstico. O que decide o resultado agora é o que vem depois do antibiótico. É esse conjunto que separa quem trata uma vez de quem trata a cada seis meses.

Tratando por conta própria

  • Dieta da internet, sem prazo e sem data de saída
  • Sem saber qual gás é o seu
  • Reintrodução que nunca acontece
  • Nenhum exame de controle no fim
  • Recidiva sem plano, e sem ninguém para chamar

Com o Programa SIBO

  • Teste respiratório definindo qual gás é o seu
  • Os quatro passos, na ordem certa
  • Protocolo alimentar com prazo e reintrodução guiada
  • Teste de controle medindo o resultado
  • 4 consultas em 6 meses e canal aberto entre elas
Programa SIBO · 6 meses
R$ 3.500
ou 12x de R$ 323,75
Fechamento antecipado
R$ 3.150
ou 12x de R$ 291,38
Se você já fez consulta e exame comigo
R$ 1.970
ou 12x de R$ 182,23

Incluso: consulta inicial, teste respiratório inicial, teste respiratório de controle após o tratamento, protocolo alimentar com prazo e reintrodução guiada, e 4 consultas de acompanhamento em 30, 90, 120 e 180 dias.

Se você já fez a consulta e o teste comigo: esses dois itens já fazem parte do programa, então o que você pagou por eles é abatido. R$ 800 da consulta e R$ 730 do teste, num total de R$ 1.530. Esta já é a condição especial e não se soma ao desconto de fechamento antecipado.
Não incluso: exames laboratoriais e suplementos.

Este canal é para agendamento e dúvidas sobre o programa. Não é canal de urgência e não faz atendimento médico por mensagem.

De onde vêm os dados desta página

  1. Pimentel M, Saad RJ, Long MD, Rao SSC. ACG Clinical Guideline: Small Intestinal Bacterial Overgrowth. Am J Gastroenterol 2020;115:165-178.
  2. Rezaie A, Buresi M, Lembo A, et al. Hydrogen and Methane-Based Breath Testing: The North American Consensus. Am J Gastroenterol 2017;112:775-784.
  3. Lauritano EC, Gabrielli M, Scarpellini E, et al. Small intestinal bacterial overgrowth recurrence after antibiotic therapy. Am J Gastroenterol 2008. Origem dos números de recidiva e dos fatores de risco.
  4. Barlow GM, Pimentel M. Modern concepts of small intestinal bacterial overgrowth. Curr Opin Gastroenterol 2025.
  5. Lim J, Rezaie A. Pros and Cons of Breath Testing for SIBO and IMO. Gastroenterol Hepatol (N Y) 2023;19(3):140-146.
Os cinco itens são publicações revisadas por pares. Já a duração exata de cada passo, a ordem da reintrodução e o espaçamento entre as refeições seguem conduta clínica consolidada, e não um ensaio que tenha testado esse desenho específico. Onde eu não tenho dado, eu digo que não tenho.
Os outros guias
São três gases diferentes, e cada um pede uma conduta diferente. Se o seu quadro se parece mais com um destes, comece por ele.
‹ Voltar para todos os guias
Dra. Patricia Silveira
CRM-SP 162150 · RQE 67913
Cirurgia anorretal minimamente invasiva · Saúde intestinal funcional
Jundiaí - SP
Material educativo de orientação em saúde, de caráter informativo e sem finalidade diagnóstica ou prescritiva. Não substitui consulta médica, avaliação presencial, exame complementar nem prescrição individualizada, e não autoriza automedicação, uso de antibiótico por conta própria nem restrição alimentar sem acompanhamento. Resultados variam conforme o caso, e nenhum resultado é prometido. As condutas descritas são o desenho geral do programa e podem ser ajustadas conforme a resposta clínica de cada pessoa. As condutas e a responsabilidade técnica são ato médico da Dra. Patricia Silveira. Emitido em Jundiaí, SP, em 21 de agosto de 2026.
Falar com o consultório