HPV anal: você não fez nada de errado
Descobriu lesões na região anal e a primeira coisa que veio não foi a dúvida médica. Foi a vergonha.
Sei que a maior parte das pessoas chega até aqui depois de dias procurando na internet, com medo do diagnóstico e medo da conversa. Então começo pela parte que costuma faltar nos textos sobre o assunto.
O HPV é uma das infecções mais comuns que existem. Ter HPV não diz nada sobre o seu comportamento, sobre a sua higiene ou sobre a sua vida sexual. Uma parte grande da população entra em contato com o vírus em algum momento, e a maioria nunca fica sabendo.
Aqui, a consulta é sobre o que fazer a partir de agora.
O que é o HPV anal
O HPV é um vírus com muitos subtipos diferentes. Alguns causam as verrugas, os chamados condilomas. Outros não formam verruga nenhuma e são os que exigem acompanhamento, porque estão associados a alterações nas células ao longo do tempo.
Na região anal, ele pode aparecer na pele ao redor do ânus e também dentro do canal anal, onde não dá para ver nem sentir sem exame.
Sintomas que levam à avaliação
- Verrugas ou pequenas elevações na região anal ou genital
- Coceira, ardência ou sensação de irritação persistente
- Sangramento leve ao higienizar ou ao evacuar
- Sensação de volume ou de algo diferente na borda anal
- Diagnóstico de HPV em outro local, como colo do útero
Muitas lesões são pequenas e passam despercebidas. Quem tem HPV genital confirmado deve conversar sobre a avaliação da região anal, porque a presença em um local não exclui o outro.
Como é a avaliação
A consulta começa com conversa, sem interrogatório e sem julgamento. Depois, o exame da região identifica as lesões visíveis, avalia a extensão e verifica o canal anal, que é justamente a parte que costuma não ser examinada em outros lugares.
Em determinadas situações são indicados exames complementares, incluindo o estudo das lesões, definidos caso a caso.
Tratamento
É importante ser clara neste ponto: o tratamento remove as lesões. Não existe medicação que elimine o vírus do organismo. O que existe é tratamento das lesões e acompanhamento, porque em boa parte das pessoas o próprio sistema imune controla o vírus com o tempo.
Tratamento no consultório
Lesões em pequeno número e de fácil acesso costumam ser tratadas em consultório, com anestesia local, em uma ou mais sessões conforme a resposta.
Tratamento em ambiente hospitalar
Quando as lesões são numerosas, extensas ou estão dentro do canal anal, o tratamento é feito em ambiente hospitalar, o que permite tratar tudo de uma vez e com conforto.
Acompanhamento
Essa etapa é a que mais se negligencia e a que mais importa. Recidiva é possível, e o retorno programado existe justamente para identificar cedo qualquer lesão nova.
Os resultados variam conforme o número e a localização das lesões, a resposta imune e as condições de cada paciente.
Prevenção
- Vacinação contra o HPV, disponível na rede pública para as faixas etárias previstas e na rede privada para outras faixas
- Preservativo, que reduz a transmissão sem eliminá-la, porque o contato de pele não coberta também transmite
- Avaliação do parceiro ou parceira, quando houver indicação
- Acompanhamento regular, principalmente em quem tem imunidade reduzida
A vacina protege contra a infecção pelos subtipos que ela cobre. A indicação para cada pessoa é individual e conversada em consulta.
Perguntas frequentes
HPV tem cura?
As lesões têm tratamento. O vírus, na maior parte das pessoas, é controlado pelo próprio sistema imune ao longo do tempo. Não existe medicação que elimine o vírus do organismo, e por isso o acompanhamento faz parte do cuidado.
Peguei porque tive muitos parceiros?
Não é assim que funciona. O HPV é extremamente comum e um único contato é suficiente. Uma parte grande da população entra em contato com o vírus em algum momento da vida, muitas vezes sem nunca saber.
Preciso ter tido relação anal para ter HPV nessa região?
Não necessariamente. O vírus se transmite por contato de pele e mucosa, e a proximidade das regiões permite o acometimento anal mesmo sem relação anal.
Meu parceiro precisa se tratar?
A avaliação do parceiro ou parceira é recomendada, e o tratamento é indicado quando existem lesões. Isso é conversado na consulta, considerando a situação de cada casal.
Já tomei a vacina. Ainda posso ter HPV?
Sim. A vacina protege contra os subtipos que ela cobre, e não contra todos os existentes. Ela continua sendo a medida preventiva mais eficaz disponível.
HPV anal vira câncer?
Alguns subtipos estão associados a alterações celulares que, ao longo de anos, podem evoluir. A imensa maioria das pessoas com HPV não desenvolve câncer. É exatamente por existir essa possibilidade que o acompanhamento é indicado, e não como motivo de pânico.
As verrugas voltaram depois do tratamento. Fiz algo errado?
Não. Recidiva faz parte do comportamento do vírus e não significa falha sua nem do tratamento. É justamente por isso que existe retorno programado.
O atendimento é sigiloso?
Sim. Sigilo médico é obrigação legal e ética, e vale para tudo o que é dito em consulta, sem exceção.
Você não precisa passar mais uma semana procurando na internet.
A avaliação define o que é e o que fazer.
O conteúdo desta página tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso é avaliado individualmente.