Doenças anorretais

Fissura anal: a dor que corta ao evacuar

Quem tem fissura não descreve como incômodo. Descreve como caco de vidro.

A fissura anal é uma das dores mais intensas que eu vejo no consultório, e uma das mais mal explicadas. A pessoa vai ao banheiro, sente uma dor aguda no momento da evacuação, e essa dor continua por horas depois, em queimação.

Muita gente convive meses assim, tratando por conta própria, achando que é hemorroida. Fissura e hemorroida são coisas diferentes, e o tratamento também é.

O que é uma fissura anal

É uma pequena ferida no revestimento do canal anal. Pequena mesmo, às vezes de poucos milímetros. O tamanho não tem relação com a intensidade da dor, porque a região é extremamente inervada.

O que diferencia a fissura de um machucado comum é que ela não fica em paz para cicatrizar. A dor faz o esfíncter contrair, a contração reduz a circulação no local, e sem circulação a ferida não fecha.

Por que ela não cicatriza sozinha

Esse é o ponto que muda o entendimento do problema. A fissura se mantém por um ciclo:

1Fezes endurecidas ou trauma abrem a ferida
2A dor faz o músculo contrair
3A contração reduz a circulação no local
4Sem circulação, a ferida não fecha
5A pessoa adia ir ao banheiro e as fezes endurecem mais

Enquanto esse ciclo não é quebrado, a fissura volta. É por isso que pomada sozinha costuma dar alívio momentâneo e não resolver.

Sintomas que levam à avaliação

  • Dor aguda no momento de evacuar, muitas vezes descrita como corte
  • Dor em queimação que persiste por horas depois
  • Sangue vivo, em pequena quantidade, no papel
  • Medo de ir ao banheiro, e evacuação adiada por causa da dor
  • Contração involuntária e espasmo na região

O medo de evacuar é parte do quadro, não fraqueza. Ele é o que mantém o ciclo funcionando, e por isso entra no tratamento.

Fissura aguda e fissura crônica

Aguda

Recente, com aparência de corte simples. Costuma responder bem ao tratamento clínico quando a causa do trauma é corrigida junto.

Crônica

Já dura semanas ou meses, com bordas endurecidas e, muitas vezes, um plicoma sentinela na borda, aquele carocinho que a pessoa costuma confundir com hemorroida. Nessa fase, a resposta ao tratamento clínico é menor.

Situações que merecem atenção

Fissura no pós-parto é frequente e pouco falada. A constipação da gestação e das primeiras semanas, somada ao trauma da região, cria exatamente o cenário do ciclo. Muita mulher ouve que dor ao evacuar é parte do pós-parto, e não é.

Fissuras fora da linha média, múltiplas, ou que não respondem ao tratamento, pedem investigação de outras causas. Nesses casos a conduta muda.

Tratamento

Clínico

Muitas fissuras cicatrizam sem cirurgia, desde que a causa do trauma seja corrigida junto. O tratamento age nas duas pontas do ciclo: amolecer as fezes e reduzir o espasmo do esfíncter, para a circulação voltar ao local. Medicação tópica e, em casos selecionados, toxina botulínica entram nessa etapa, conforme a avaliação.

Cirúrgico

Entra nas fissuras crônicas que já não respondem ao tratamento clínico. A técnica é escolhida caso a caso, considerando a continência e o histórico de cada paciente, com preferência pelas abordagens minimamente invasivas.

Os resultados variam conforme o caso, o tempo de evolução, o diagnóstico e as condições de cada paciente.

Perguntas frequentes

Fissura anal tem tratamento sem cirurgia?

Muitas fissuras cicatrizam com tratamento clínico, desde que a causa do trauma seja corrigida junto. Sem isso, a fissura tende a voltar. A cirurgia entra nas fissuras crônicas, que já não respondem ao tratamento clínico.

Como sei se é fissura ou hemorroida?

Pelo padrão da dor. Hemorroida interna costuma sangrar sem doer. Fissura dói de forma aguda no momento da evacuação e continua ardendo depois. Mas as duas podem coexistir, e quem define é o exame.

Por que a fissura sempre volta?

Porque na maior parte das vezes só a ferida foi tratada, e não o que a abriu. Se o intestino continua ressecado e o esfíncter continua em espasmo, o ciclo recomeça.

A cirurgia de fissura deixa a pessoa incontinente?

Essa é a preocupação mais comum, e é legítima. É justamente por isso que a técnica é escolhida caso a caso, avaliando a continência antes do procedimento. Isso é conversado em detalhe na consulta.

Tive fissura depois do parto. É normal?

É frequente, mas não é para conviver. Dor forte e persistente ao evacuar no pós-parto merece avaliação, e a maior parte dos casos é tratada clinicamente.

Banho de assento resolve?

Ajuda a relaxar a musculatura e alivia no momento, o que já é bem-vindo. Sozinho, não quebra o ciclo. Ele é apoio, não tratamento.

Dor ao evacuar não é normal.
A avaliação define se o seu caso é clínico ou cirúrgico.

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Dra. Patrícia Silveira
Cirurgiã geral · CRM-SP 162150 · RQE 67913
Cirurgia minimamente invasiva anorretal · Saúde intestinal funcional · Jundiaí, SP

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Dra Patrícia Silveira

Dra. Patrícia Silveira — Médica CRM-SP 162150 · RQE 67913 — Cirurgia Geral Cirurgia anorretal minimamente invasiva. Pós-graduada em Gastroenterologia funcional.

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Profissional responsável Dra. Patrícia Silveira Médica · Cirurgiã Geral
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